Página gerada em: 08/04/2026 17:16:44
O primeiro trimestre de 2026 deixa clara a proposta da Escola Judicial (EJUD) de ser um espaço de diálogo entre pessoas e de contato com diferentes áreas do conhecimento, capaz de refletir sobre o papel da Justiça do Trabalho e sua relação com a sociedade.
Como diretora da EJUD, a desembargadora Thereza Cristina Gosdal, propõe uma escola aberta ao diálogo com outras áreas do conhecimento. A aposta é na interdisciplinaridade como forma de ampliar o alcance e o sentido da atuação judicial. “Queremos trazer essa reflexão sobre nós mesmos – sobre como somos vistos, o que queremos comunicar e se estamos sendo eficientes nessa comunicação”, afirma Gosdal.
No primeiro trimestre deste ano, as ações da Escola foram pautadas por essas reflexões. No evento “Sobre vivências”, realizado em março (clique para acessar) para marcar o Dia Internacional da Mulher, a programação reuniu uma escritora, uma jurista e uma ativista para discutir literatura, direito e violência de gênero. O formato rompeu com a lógica tradicional dos encontros voltados a temas jurídicos no âmbito do TRT-PR e ampliou o debate para a literatura e os relatos pessoais.
No evento de abertura do ano letivo, a EJUD abriu espaço para especialistas (clique para acessar) dispostos a analisar o papel da Justiça do Trabalho e a forma como ela se comunica. A presença do Ministro do TST Alberto Balazeiro e do escritor Caetano Waldrigues Galindo, autor de “Latim em pó”, deixou em evidência o desafio de sustentar a relevância dos direitos sociais e torná-los compreensíveis para além dos círculos especializados.
De acordo com a juíza Simone Galan de Figueiredo, coordenadora pedagógica da EJUD, essa discussão não é apenas técnica, mas estrutural. “São recorrentes as críticas aos direitos trabalhistas sob o argumento de que se tratam de um desestímulo ao emprego. Frente a esses argumentos, é necessário lembrar que o Direito do Trabalho integra os direitos sociais previstos na Constituição, orientados por valores como a solidariedade social, a justiça social e a dignidade humana”, diz.
Para a juíza, as críticas aos direitos trabalhistas alteram a própria lógica do sistema jurídico: “O que se vê é uma inversão dessa racionalidade, na qual o interesse econômico passa a se sobrepor à dignidade da pessoa humana”.
Diante disso, o papel da Justiça do Trabalho deixa de ser apenas jurisdicional e passa a ser também simbólico. “Precisamos estar alertas para não aceitar acriticamente esse discurso que conduz à anulação da rede de proteção social e para o qual a Justiça do Trabalho representa um obstáculo”, diz Figueiredo.
Congresso Internacional
Esse posicionamento ajuda a entender a natureza dos eventos que a Escola vem promovendo e também daqueles que estão por vir. Nos dias 23 e 24 de abril, o Congresso Direito Internacional do Trabalho e Sindicalismo reunirá especialistas do Brasil e do exterior para discutir direitos humanos e os desafios contemporâneos do trabalho. Leia mais sobre o evento aqui (clique para acessar).
Outro fator importante para entender os rumos da Escola diz respeito à criação do cargo de coordenadora institucional, assumido pela juíza Patrícia Benetti Cravo. A proposta é aproximar a Escola de magistradas, magistrados, servidoras e servidores que atuam fora de Curitiba, levando atividades presenciais a outras regiões do estado. A estratégia começa com um gesto simples, mas decisivo: ouvir.
“Antes de tudo, precisamos entender quais são as demandas”, explica Cravo. “A ideia é construir as atividades a partir disso, para que elas efetivamente contribuam com a atividade jurisdicional.”
Assim, a Escola vai realizar encontros regionais, cursos presenciais e ações direcionadas a públicos específicos, começando com um curso sobre precedentes no dia 14 de maio, em Londrina.