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A escritora Giovana Madalosso inspirou a plateia no evento “Sobre vivências”, no TRT-PR, ao detalhar como um sonho de infância se transformou em propósito de vida. Identificar seu lugar no mundo foi uma verdadeira jornada – o que ela chama de “encontro com a própria voz”.
“Quando olhamos para um artista, conseguimos perceber que há um jeito único de cada um ser, que ninguém pode copiar. Para alguns autores, essa busca demora dias; para outros, meses ou até uma vida inteira. Para mim, ela se revelou aos trinta e poucos anos”, disse a autora de “Suíte Tóquio”, em um bate-papo com a professora Tatyana Friedrich, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e a jornalista Ana Carolina Bendlin, assessora de imprensa do Ministério Público do Trabalho do Paraná (MPT-PR).
Madalosso narrou sua trajetória profissional, que inclui passagens pelo jornalismo, por agências de publicidade, viagens e formação internacional como roteirista de séries. Foi justamente nos desafios do puerpério, após o nascimento da filha – convivendo ora com a solidão, ora com o amor incondicional – que a escritora despertou para aquilo que mais ansiava: sua voz narrativa.
“O mais interessante é que eu não escrevia pensando em publicar”, disse. A escrita surgiu como um meio de nutrir a si mesma enquanto amamentava a filha. “Escrever sempre foi uma forma de lidar com aquilo que eu não entendo, com a dor que eu sinto”, disse Madalosso.
A participação da escritora foi um dos momentos marcantes da tarde da última terça-feira (10), durante o evento “Sobre vivências”, uma celebração do Dia Internacional da Mulher, organizada pela Escola Judicial do TRT-PR, com apoio do MPT-PR, da Associação da Advocacia Trabalhista do Paraná (AATPR), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Seção do Paraná e da Associação dos Magistrados do Trabalho da 9ª Região (Amatra IX).
Direito
O sentido da vida e a importância de um constante reinventar foram alguns dos temas abordados pela jurista e professora Aldacy Rachid Coutinho, na primeira mesa da tarde, com o tema “A mulher no sistema de Justiça: experiências e desafios profissionais”.
“O Direito, enquanto organização da sociedade, deve refletir e dar resposta aos valores que pretende defender. E não há valor mais importante do que a dignidade, acompanhada da liberdade e da igualdade”, disse Coutinho, que abordou temas como o feminicídio, a violência crescente contra as mulheres e os desafios no campo jurídico.
A jurista também chamou a atenção ao analisar textos do poeta Fernando Pessoa (1888–1935) com visões misóginas e antifeministas, e ao ressaltar a responsabilidade coletiva na construção de uma sociedade mais inclusiva e representativa.
“Não é uma pauta das mulheres, é uma pauta de todos nós”, afirmou. A jurista deixou um convite para todas as mulheres: “Encontrar a própria identidade e se sentir autêntica é viver a vida com a dignidade que ela merece. Viver uma vida interessante, sem medo”.
Realidade
Goretti Bussolo, fundadora do Instituto Todas Marias, trouxe ao centro do debate a realidade da violência enfrentada por muitas mulheres e compartilhou sua própria história, marcada por um estupro coletivo e por importantes conquistas posteriores. Ela foi a primeira mulher a obter uma medida protetiva no Paraná e, mais tarde, fundou o instituto que hoje acolhe outras vítimas.
“Procuro oferecer às mulheres aquele acolhimento que tanto me faltou quando fui vítima da violência, ainda menina”, disse, na segunda mesa do evento.
Para a ativista, o feminicídio é o grito mais cruel de uma cultura que ainda teme a autonomia feminina. Goretti foi muito aplaudida ao costurar seu discurso com intervenções provocativas e momentos de canto, expressões que se complementaram e mexeram com a plateia.
“Nós todas somos um pouco Maria. Pela cor do batom, pela echarpe vermelha”, disse, fazendo referência à Maria Madalena, “a primeira a ser perseguida”. Ao final, deixou um convite às mulheres: “Que nunca lhes convençam de que querer dignidade é ousadia demais. Vocês não nasceram para caber, nasceram para existir”.
Vozes femininas
Mais de 600 pessoas assistiram ao “Sobre vivências – Diálogos entre literatura, direito e realidade”, pela transmissão ao vivo no YouTube e no Plenário Pedro Ribeiro Tavares, na sede do Tribunal, em Curitiba. O evento foi resultado do esforço conjunto de várias pessoas e entidades.
Pela Escola Judicial do TRT-PR: a desembargadora Thereza Cristina Gosdal (diretora), a juíza Simone Galan de Figueiredo (coordenadora pedagógica), a juíza Patrícia Cravo (coordenadora institucional) e toda a equipe da EJUD.
Pelo TRT-PR: a juíza auxiliar da presidência Angélica Candido Nogara Slomp e as equipes do Cerimonial e da Assessoria de Comunicação.
Pelo MPT-PR: a vice-procuradora-chefe Marília Massignan Coppla.
Pela OAB: a presidente da Comissão de Direito do Trabalho, Giovana Lepre Sandri.
Pela AATPR: a vice-presidente Ana Paula Pavelski e a advogada Camila Kapp.
E pela Amatra IX: a juíza Sandra Cristina Zanoni Cembraneli Correia.
Serviço
Assista à gravação do evento “Sobre Vivências – Diálogos entre literatura, direito e realidade”, AQUI.
Texto: Patrícia Thomaz / Ascom
Fotografias: Luiz Renato Munhoz/ Ascom