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O projeto Casa do Saber, do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-PR), foi o vencedor do Prêmio Justiça do Trabalho Sustentável 2026, na categoria “Social”. A iniciativa promove cursos gratuitos em diversas áreas do conhecimento para pessoas em situação de vulnerabilidade social. As aulas são ministradas por professoras(es) voluntárias(os), que podem ser servidoras(es), magistradas(os), familiares e amigas(os).
O TRT-PR concorreu com outros três regionais. A premiação, promovida pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), ocorreu na quinta-feira (15), em Brasília, durante o 11º Encontro Nacional de Sustentabilidade da Justiça do Trabalho.
A coordenadora do Comitê de Patrimônio, Logística e Sustentabilidade do TRT-PR, desembargadora Nair Maria Lunardelli Ramos, recebeu o prêmio das mãos do presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho.
A desembargadora declarou que o valor da Casa do Saber vai muito além dos indicadores institucionais. “Ela devolve a dignidade e abre portas para o futuro de pessoas em situação de vulnerabilidade, oferecendo conhecimento e qualificação por meio do trabalho generoso de instrutores voluntários”, disse.
Trajetória da Casa do Saber
A Casa do Saber foi idealizada pelo desembargador do TRT-PR Carlos Henrique de Oliveira Mendonça. A ideia surgiu há 25 anos, quando ele era juiz na Vara do Trabalho de Marechal Cândido Rondon. A iniciativa era privada e funcionava com o apoio do público em geral.
O magistrado destacou que a ideia é unir as pessoas carentes financeiramente – que precisam estudar, aprender qualquer ofício – e aquelas que sempre quiseram fazer um trabalho voluntário para ajudar o próximo, mas não sabiam exatamente por onde começar.
Posteriormente, ao assumir a Vara do Trabalho de Irati, o magistrado deu continuidade ao projeto, que durou quase dois anos.
Em 2025, já como desembargador, ele concretizou o desejo de criar a Casa do Saber em Curitiba. Mais uma vez, a iniciativa foi concebida como uma estrutura desvinculada do poder público, mas acabou recebendo o apoio do então presidente do TRT-PR, desembargador Célio Horst Waldraff, que disponibilizou um espaço para a realização das aulas no prédio que abriga o Arquivo Geral de Curitiba, no bairro Cajuru.
A Casa do Saber no TRT-PR foi instituída pelo Ato 86/2025.
Dia a dia
Hoje, 140 alunos são atendidos por semana em mais de 20 cursos, que tratam de temas como informática, Libras, artes, línguas estrangeiras e reforço escolar.
Desde o início das atividades na capital, a Casa do Saber já ofertou mais de 50 cursos e oficinas, contabilizando mais de 350 alunas e alunos da comunidade.
Denise Teodoro da Silva, chefe do Setor de Apoio à Casa do Saber, conta que a unidade tem 40 professores, sendo que alguns ministram mais de uma disciplina.
A servidora ressalta que acredita muito no papel transformador da educação, não apenas para o desenvolvimento pessoal, mas também para o desenvolvimento de toda uma comunidade: “Poder ser professora voluntária na Casa do Saber e compartilhar conhecimento não é só gratificante; é, ao mesmo tempo, uma maneira de colocar em prática aquilo em que acredito”, disse. Ela dá aula de artes e língua italiana.
A vendedora Priscila Luszczynski Barbeta da Silva é ex-aluna de investimentos da Casa do Saber. Hoje, atua como professora de Libras. Ela define a experiência de dar aulas na Casa do Saber como “extraordinária”.
A professora explica que é gratificante estar no local e compartilhar conhecimento e, principalmente, “aprender com cada turma e cada pessoa que passa por ali”. Ela também cita o retorno positivo que tem recebido dos alunos e conta que sua filha cursou matemática concreta e jiu jitsu na Casa do Saber..
Priscila destaca a importância das aulas de Libras. Mais do que aprender a língua, as(os) alunas(os) passam a compreender a realidade e as barreiras enfrentadas pela comunidade surda, além de reconhecerem que “todos nós temos um papel na construção de uma sociedade mais acessível e inclusiva”.
Você pode ensinar
O desembargador Carlos Henrique faz um convite especial a magistradas(os), servidoras(es), familiares e amigas(os) que tenham algum conhecimento para compartilhar: que se juntem à Casa do Saber como voluntárias(os). Pode ser música, esporte, arte ou qualquer outra atividade. Basta dedicar uma hora por semana para ensinar. “Serão muito bem-vindos”, afirma o magistrado.
Texto: Ascom/TRT-PR
Fotos: Casa do Saber
Foto da solenidade: Fellipe Sampaio e Pedro França/TST