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A major da Polícia Militar e coordenadora estadual da Patrulha Maria da Penha no Paraná Carolina Pauleto Ferraz Zancan realizou uma palestra na sede do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-PR). A atividade aconteceu no último dia 17 e foi parte da campanha Agosto Lilás, que acontece pela primeira vez neste ano. A ação procura conscientizar sobre a violência contra a mulher e celebra os 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006).
A violência contra a mulher é um fenômeno social que, apesar de execrável, é mais comum do que se percebe. Quem esteve presente no Plenário Pedro Ribeiro Tavares viu que as palavras da oficial Carolina foram muito mais que informações. Para muitas pessoas presentes, em sua maioria mulheres que trabalham do TRT-PR (servidoras, magistradas, terceirizadas e estagiárias), a palestra despertou memórias, identificações e a urgência de acabar com todo tipo de agressão.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, uma em cada três mulheres no mundo já sofreu algum tipo de violência de gênero. No Brasil, a proporção é maior. Segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 37,5% das mulheres também passaram por esse tipo de situação.
A major Carolina utiliza as estatísticas como referencial, mas ela mesma afirma que a missão dela não é reduzir números, mas evitar que qualquer forma de violência contra a mulher aconteça. Ela considera que hoje existe uma percepção social maior sobre essa questão, o que influencia as estatísticas. A oficial iniciou sua fala com a informação de que, atualmente, a Patrulha Maria da Penha possui ações preventivas em 397 dos 399 municípios paranaenses. “Faltam só dois, mas chegaremos lá também”, disse.
Segundo a major, o principal desafio da prevenção é a conscientização das próprias vítimas de algum tipo de abuso ou desrespeito. A oficial disse que é preciso que a mulher se enxergue como vítima, que procure ajuda e que permaneça nesse caminho do autocuidado até conseguir se restabelecer e se reconstruir. “Nós socorremos vítimas no seguinte sentido: nós estendemos a mão. Mas quem pode salvar a própria vida? Eu não tenho como arrancar a mulher do ambiente de violência se ela não quiser sair desse local, pelos mais variados motivos. Não estamos aqui para julgar ninguém, mas qualquer ação de qualquer órgão público só pode ser feita se a vítima se manifestar e caminhar junto conosco nessa atividade de socorrer e salvar vidas”, disse.
A policial lembrou que violência não é apenas a agressão física, mas também pode ser a ação que causa dano emocional (violência psicológica), a violência sexual, a violência contra o patrimônio (inclusive impedir o estudo), e a violência moral (fazer calúnia, difamação ou injúria). A major Carolina foi enfática ao dizer que a violência contra a mulher acontece de forma semelhante em todas as classes sociais e não escolhe faixa etária. Ela também ressaltou que, no caso da violência doméstica conjugal, é mais difícil identificar os abusos. “Tem que se meter em briga de marido e mulher, sim. Nenhum tipo de violência conjugal tem que ser tratada como piadinha. Tudo de grave deve ser observado”, disse.
Outra orientação fundamental que a major Carolina transmitiu a quem assistiu sua palestra foi no sentido de não culpabilizar vítimas, em hipótese alguma. “Veja que todo discurso pode reforçar a violência. Nós estamos aqui para proteger mulheres. Não importa se é uma dona de casa, se é workaholic, se é extrovertida, se ela usa roupas mais sensuais ou mais recatadas, nada disso importa. Nós estamos aqui para proteger mulheres e nada justifica a violência. Eu peço que os senhores e as senhoras parem de justificar a violência pelo comportamento da mulher. Graças a Deus vivemos em um país em que eu não justifico a violência que a mulher sofre por um comportamento que ela tenha por ser mulher”, concluiu.
Atendimento
Se você é vítima de violência, o tribunal dispõe de um canal de acolhimento e orientação para mulheres. Fale com a Coordenadoria de Saúde pelo telefone (41) 3310-7117.
Em caso de emergência, ligue para: 190 (Polícia Militar), 180 (Central da Mulher) e (41) 3221-2701 (Casa da Mulher Brasileira).
Outras informações sobre a campanha do TRT-PR, AQUI.
Texto e foto: Pedro Macambira
Assessoria de Comunicação do TRT-PR