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Superar a opressão invisível e estimular o pertencimento comunitário. Esses foram os eixos centrais do evento "Além da Resistência: Respeito e Acolhimento", realizado na sexta-feira (26), no Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-PR), para marcar o Dia do Orgulho LGBTQIAPN+. A data é celebrada mundialmente em 28 de junho. O conceito de pertencimento comunitário foi trazido pelo advogado trabalhista Walter Tierling Neto, palestrante na roda de conversa que abordou o tema "Além da Resistência: A Potência da População LGBTQIAPN+ nos Espaços de Trabalho e Justiça".
O advogado citou o propósito de integração da comunidade LGBTQIAPN+ como forma de superar a ‘tolerância disfarçada’ da sociedade – que se reflete no mercado de trabalho – para transformá-la em acolhimento ativo, em respeito e atitudes concretas de convivência. “Precisamos desconstruir o paradigma tão somente da sobrevivência para olhar para o direito de florescer [como pessoa]. É fundamental que a sociedade nos enxergue como uma comunidade para que possamos criar, desenvolver nossas potencialidades e trabalhar com dignidade”, disse.
Walter Tierling Neto citou pesquisas corporativas que mostram que as pessoas enxergam até 61% dos espaços de trabalho como restritivos ao pleno exercício do potencial humano, devido a limitações ou constrangimentos relacionados à identidade sexual. A palestra foi mediada pela servidora do TRT-PR Vanessa Roberta do Rocio Souza.
A temática do acolhimento foi reforçada pela segunda palestra, mediada pelo servidor Osvaldo Csiszer Junior, com as ativistas Marise Felix da Silva e Cyda Pereira, da Associação Mães pela Diversidade. Fundada em 2014, a organização reúne mães, pais e responsáveis de crianças, adolescentes e adultos da comunidade LGBTQIAPN+, com a missão de acolher e fortalecer suas redes de apoio.
Para as ativistas, o apoio dentro de casa é determinante para o desenvolvimento saudável de indivíduos que divergem da heteronormatividade. “Quando a gente vai na marcha é muito gratificante e também um momento de reflexão para nós, porque muitos vêm falar com a gente: ‘Nossa, como eu queria que a minha mãe estivesse aqui’”, diz Cyda. “Hoje, eu faço parte do Mães pela Diversidade, não mais pelo meu filho. É por causa dos outros filhos, muitos que não têm o amor do pai e da mãe.”
Mostra fotográfica
O evento foi organizado pelo Comitê Gestor Regional do Programa de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade, sob coordenação da desembargadora Neide Alves dos Santos. Além dos debates, o prédio-sede do TRT-PR, em Curitiba, exibiu durante a semana a mostra fotográfica “Eu já te ouvi dizer”, da artista catarinense Sabrina Marthendal. Os registros trazem pessoas segurando placas com frases preconceituosas comuns, provocando reflexão sobre o impacto dessas agressões verbais.
O impacto da dureza das frases e do preconceito explicitado nas fotografias foi citado na abertura do evento. “O orgulho foi adotado em contraposição à vergonha e à invisibilidade que a sociedade tentava impor às pessoas LGBTQIAPN+”, lembrou a desembargadora Neide. O sentimento foi ecoado por Jandair Fernandes Neubauer, representante do Sindicato dos Servidores da Justiça do Trabalho (Sinjutra), e pela juíza Paula Regina Rodrigues Matheus, titular da 1ª Vara do Trabalho de Araucária e representante da Amatra-IX, que destacaram o impacto emocional gerado pela exposição.
Indicação de filme
Em continuidade às celebrações do Dia do Orgulho LGBTQIAPN+, o Comitê Gestor Regional do Programa de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade recomenda o documentário "Mil nomes", produzido pela Defensoria Pública do Paraná. A obra aborda os desafios pessoais e sociais no processo de retificação de prenome e gênero. O filme está disponível no canal da Defensoria no YouTube:
Texto: HC e Maria Letícia Pereira Claudino da Silva, sob orientação de Irinêo Netto / Ascom TRT-PR
Fotografia: HC e Maria Letícia Pereira Claudino da Silva, sob orientação de Irinêo Netto / Ascom TRT-PR