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Tribunal Regional do Trabalho 9ª Região

Página gerada em: 04/11/2026 02:01:31

Biógrafo de Dalton Trevisan fala sobre o processo de escrever sobre o "Vampiro de Curitiba"

Notícia publicada em 03/11/2026

Retrato do escritor Dalton Trevisan quando jovem (Divulgação/Editora Todavia)

"Conversa sobre o escritor Dalton Trevisan” traz ao TRT do Paraná o jornalista Christian Schwartz, biógrafo daquele que é o maior escritor paranaense de todos os tempos. O bate-papo será no dia 13 de novembro, às 17h30, no auditório da Escola Judicial. O encontro é aberto para o público interno e externo, com transmissão pelo canal da EJud no YouTube. 

Em entrevista à ASCOM, Schwartz revelou um pouco sobre o processo de investigação e construção da biografia que está no prelo e deve ser lançada em breve pela editora Todavia. 

O “biografado impossível”
Schwarz desfaz mitos e evita o lugar-comum das anedotas sobre o “Vampiro de Curitiba”. O biógrafo conta que Dalton Trevisan teve uma vida discreta, mas nem por isso foi um ser antissocial ou misantropo. Mesmo idoso, o consagrado escritor ainda mantinha uma rotina de caminhar pela cidade e conversar com algumas pessoas, antes que a saúde o obrigasse a ficar somente em casa. Portanto, o ponto focal da fala de Schwarz é revelar os mecanismos de interpretação de uma vida psicologicamente muito rica. “É uma conversa sobre o projeto, como chegar na pessoa biografada, quais as fontes utilizadas”, afirma.

A biografia tem como base o próprio registro de Trevisan sobre si mesmo, já que o contista viveu mais que suas filhas e esposas e não tinha muitos parentes próximos que pudessem servir de fontes para a pesquisa.  Como indica Schwarz, boa parte da vida do escritor foi registrada de forma metódica por meio de diários, de registros de leituras e de correspondências datilografadas em duas vias com papel carbono.

Foi nesse universo de documentos e fotografias que Christian Schwartz se debruçou para montar o quebra-cabeças da vida de Dalton Trevisan, que morreu em dezembro de 2024, aos 99 anos. Antes disso, escritor e biógrafo chegaram a se encontrar algumas vezes e a conversar por meio de mensagens. “Geralmente para tirar dúvidas sobre um fato ou outro”, diz Schwartz.

O biógrafo conta que a total discrição de Dalton não foi planejada, muito menos uma forma de “marketing às avessas”, mas foi uma reação à própria forma de trabalhar da imprensa à época, extremamente invasiva. O grande autor paranaense já evitava jornalistas e fotógrafos desde os anos 1960, mas ainda abria concessões eventuais. 

“Houve várias vezes entre 1979 e 1980 em que revistas como Status e Veja enviaram repórteres a Curitiba para entrevistá-lo. Foi uma verdadeira ‘caça ao Vampiro’. Queriam saber das relações pessoais do Dalton e houve uma ocasião em que ele foi entrevistado com um gravador escondido, pela antiga revista Status, em que ele mesmo era um colunista”, conta.

Correspondências
Outro ponto interessante no acervo pesquisado por Schwartz são as cerca de 2,4 mil correspondências que Dalton Trevisan trocou com outros autores, como Hélio Pellegrino, Fernando Sabino, Rubem Braga, Carlos “Carlinhos” Oliveira, Pedro Nava e principalmente Otto Lara Resende. “Cerca de um quarto de toda a correspondência foi com o Otto Lara Resende. Mas também é bem interessante a correspondência com o tradutor holandês Augusto Willemsen, que mandava até fitas cassete lendo os contos de Dalton em holandês. É interessante perceber a sonoridade em outro idioma”, observa.

O acervo completo de Dalton Trevisan possui dados organizados principalmente pelo próprio escritor – uma curadoria que ele começou a fazer quando tinha apenas 14 anos. Após a morte do autor, toda a coleção de livros, documentos e imagens foi doada ao Instituto Moreira Salles (IMS), que passa a ser responsável pela catalogação, restauração e organização dos dados. 

Em 2024, o IMS publicou o curta “O Acervo de Dalton Trevisan”, que trata da doação da coleção, quando o escritor ainda era vivo.

Serviço
Conversa sobre Dalton Trevisan - Quando: 13 de novembro, das 17h30 às 19h.
Onde: Auditório da Escola Judicial (Av. Vicente Machado, 147, Centro, Curitiba) e transmissão pelo YouTube da EJud (AQUI).

Inscrições - Público interno do Tribunal: pelo Sistema SidEJud das 12h do dia 26/10 até às 23h55 de 6/11.
- Público externo: via Google Forms das 12h do dia 26/10 às 23h55 de 6/11.
Outras informações, na página da Escola Judicial (AQUI).