Curso "Uma Nova Chance" promoveu capacitação em estética e maquiagem social para mulheres migrantes
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Além das aulas, do certificado e do conhecimento, as alunas também receberam
kits de maquiagem profissional no encerramento
O curso “Uma Nova Chance” foi concluído no último dia 7 de outubro com a formatura da turma de 11 alunas, todas mulheres vindas de outros países, como Venezuela e Cuba. O curso da área de Estética foi realizado no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), em Curitiba, em dois encontros. O foco da formação foi a maquiagem para eventos sociais, com o objetivo de dar capacitação às migrantes para que possam tanto atuar como autônomas quanto para terem mais oportunidades no mercado de trabalho formal.
A oferta de aprendizagem foi possível devido a uma parceria entre a Justiça do Trabalho, a Agência das Nações Unidas para as Migrações (OIM) da Organização das Nações Unidas (ONU), com a Ação Social Irmandade Sem Fronteiras e o Senac.
A professora do Senac Lucelia Pinheiro de Bonfim foi quem ministrou as aulas. Ela conta que a língua foi um fator que enriqueceu as aulas, voltadas para a maquiagem social. “É um curso curto, mas ele dá uma noção muito grande até para ganhar dinheiro, porque (as mulheres) podem trabalhar em salão de beleza e também podem fazer dentro de casa. Abre um espaço em casa porque você só precisa de uma cadeira, o material e elas vão ganhar um conhecimento, então elas já vão conseguir trabalhar isso e ganhar dinheiro para elas”, afirmou.
Rosinha Carmona é venezuelana e está há nove anos no Brasil. Ela afirma que não sabia tanto a respeito de maquiagem até ter essa oportunidade. “Eu, para o meu futuro, vou usar para começar a fazer maquiagem em outras meninas, para ensinar outras meninas e para ganhar uma grana a mais por conta de maquiagem”, disse.
A juíza Angélica Cândido Nogara Slomp esteve presente na formatura representando o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-PR). Ela é a coordenadora na Região Sul do Programa Nacional de Enfrentamento ao Trabalho Escravo e ao Tráfico de Pessoas e de Proteção ao Trabalho do Migrante (Pete), que é desenvolvido pela Justiça do Trabalho. A magistrada lembra que no ano passado o foco do Programa foi no ensino da língua portuguesa. “Esse ano o foco dos gestores regionais é a capacitação para qualificação dessas pessoas, para que elas tenham condições de, ou obter um trabalho formal ou empreender por conta própria, para adquirirem rendimento suficiente para que possam viver com dignidade”, explicou.
Yedimar Castellano é coordenadora de empreendedorismo na Irmandade Sem Fronteiras, uma das instituições parceiras do TRT-PR. Ela conta que a entidade é formada por imigrantes venezuelanos e por brasileiros com a finalidade de promover a adaptação e a melhora de vida de estrangeiros que vêm ao Brasil em busca de melhores condições de vida. “É interessante conhecer os desafios que todas nós, como mulheres e que qualquer um tem na hora de emigrar. A maioria tem desafios na hora de procurar algum emprego ou também de iniciar um caminho de empreendedorismo. Um dos caminhos que nós, como organização, damos para eles é facilitar o processo para eles acharem um emprego ou empreender”, falou.
A coordenadora de projetos da OIM/ONU, Talita Aquino de Souza, conta que a agência atua no Paraná desde 2019, com foco na integração socioeconômica dos migrantes. “Há algum tempo atrás conversamos com o TRT-PR para que a gente pudesse então promover cursos de qualificação para a população migrante aqui no estado do Paraná, principalmente aqui na Região Metropolitana de Curitiba. Desde então começamos a organizar esse curso e hoje temos certeza que foi um sucesso. Acho que é só o início de um trabalho que nós vamos desenvolver por um período muito grande, qualificando pessoas para que encontrem uma oportunidade no mercado de trabalho”, finalizou.
Texto: Pedro Macambira Filho / Ascom TRT-PR